29 Outubro 2006

O Outono

A atmosfera típica do Outono, cinza juntamente com a humidade do ar e o cheiro a lenha das lareiras faz-me recordar algo, transporta-me para aqui (ver foto).
Eu já referi que o Porto tem uma magia própria. Eles também se queixam do cinza dos dias.

O cinza deles é igual ao daqui, mas o de lá, tem magia.

23 Outubro 2006

Memórias

Hoje, sem saber como ou porquê, veio-me à memória uma recordação de infância, de uma papa com farinha Maizena que a minha "vóvó" costumava fazer para o meu lanche. Não era algo que eu adorasse nem que pedisse muita vez, é apena uma doce lembrança de tardes frias de início de Outono, passadas em casa a brincar com as bonecas depois dos devers da escola estarem feitos (estão a ver a imagem?).
Como tinha cá farinha Maizena decidi fazer a "papa Maizena", só surgia um problema, como?
Ora isto das novas tecnologias é maravilhoso, peguei no telm e liguei à minha mãe, ela riu-se, pensou um pouco e lá respondeu:

"Leite a ferver, cá fora desfazes um pouco de farinha (não muita se não fica muito grossa!) com um pouco de leite. Quando o leite ferver juntas esse preparado, uma gema de ovo e uma ou duas colheres de açúcar."

Amigos, deliciei-me! É tão bom ter memórias assim.

22 Outubro 2006

Mimo

Because today is sunday and I'm alone, practicing and practicing! I thought I should have something nice (in portuguese we would call it um mimo!) like this, hmmm... I deserve it!

19 Outubro 2006

7 Arte (8)

Surpeendi-me ao ver que ainda não tinha aqui falado de um filme do qual gosto bastante. Daqueles para se verem numa noite fria no quente de casa, com umas pipocas e, de preferência, uma boa companhia!
É definitivamente uma daquelas comédias românticas à Hollywood mas a qual acho extremamente bem feita. Falo então de Love Actually.
Tem cenas que posso ver vezes sem conta, excelentes representações, pormenores brilhantes como as bonecas apresentadas por Karen (Emma Thompson) que pretendem representar as aberrações que hoje se vendem às crianças. Uma das mais... originais declarações de amor quando Mark (Andrew Lincoln) aparece à porta de Juliet (Keira Knightley), ou o casamento desta com Peter (Chiwetel Eijofor) ou ainda a cena em que Rowan Atkinson faz de salesman e embrulha um presente, até isso ele faz genialmente!
E claro, a mensagem inerente à música inicial, cantada por Billy Nighy: Love is all around! Assim se faz notar na primeira cena das chegadas do Aeroporto de Heathrow, a felicidade dos reencontros de completos desconhecidos que somos nós no nosso dia-a-dia.
A música está também bem escolhida e adaptada a todas as cenas.

Apenas uma nota, negastiva por sinal, à forma como a comunidade portuguesa é representada. Infelizmente, nós ainda somos o País de terceiro mundo que vive no século passado. É triste que haja, ainda, tanta ignorância.

Não é um clássico, nem um filme genial mas é, concerteza, um filme com muitos pormenores a notar e com uma mensagem muito bem transmitida. Recomendo!

14 Outubro 2006

Contra-argumentação

Li aqui uma visão da vida na Holanda. Uma opinião, uma perspectiva, um ponto de vista, um tanto ou quanto diferente do meu. Por isso não resisti em contra-argumentar!

A minha ùltima história em terras holandesas deu-se na farmácia quando precisei de um antibiótico para uma pequena infecção num dente e eles me perguntaram pela receita! Eu sou tuga e ainda tenho que me habituar a uns tantos ou quantos pontos. Isto só para te dizer que concordo com muito do que dizes em relação a quem vem para aqui se continuar a comportar como se estivesse em Portugal e quando se apercebem que as coisas não se processam bem da mesma forma, as culpas vão inevitavelmente para os Holandeses. 100% de acordo. Aqui o povo é mais organizado, não há tantos atrasos, há mais eficiência, têm uma estrutura que funciona.

Quanto ao racismo tenho uma opinião muito própria e discutida com amigos holandeses que concordam. Por serem tão liberais e um País desenvolvido muita gente optou por imigrar para aqui (e quando digo muita gente falo de uma parafernália de povos misturados a ponto de ser loiro e de olhos azuis ou moreno de olhos escuros não querer dizer nada), até que chegou a um limite em que penso que eles estão "fartos" de tanta gente estrangeira, de tanta mistura cultural e isso faz com que não tenham a mesma hospitalidade que se calhar tinham há 30 anos atrás.
Isto quando se trata de pessoas que vieram para cá trabalhar. O caso dos estudantes apresenta um outro problema: a língua. Se nós é que vimos para cá porque é que não havemos de falar a língua deles. Eu noto muita diferença de tratamento consoante a língua que se fala. Para mim não é racismo é apenas uma forma de mostrar um ponto de vista.

A minha principal discordância vem na maneira de ser deste povo. Os holandeses são o povo mais mal educado e formado com quem eu alguma vez contactei (e já contactei com alguns). Eu percebo que eles sejam frios e distantes, que não tenham a simpatia dos povos do sul, que tenham uma forma de acolher diferente (não necessariamente melhor ou pior, apenas diferente), eu entendo isso tudo. O que eu não entendo é se há um choque de bicicletas em que uma senhora está com uma criança pequena numa das bicicletas que caiu que ninguém pare e pergunte se está tudo bem. O que eu não percebo é como é que há pessoas que pura e simplesmente puxam as tuas compras para trás no tapete rolante do supermerdado e põe as delas à frente sem dizer nada. O que eu não acho normal é uma pessoa vir contra ti de bicicleta, fazer-te cair ao chão e continuar como se nada fosse.
As minhas experiências continuam e continuam, mas acho que deixei o meu ponto claro. A frieza de um povo não quer dizer má educação e formação. No entanto concordo contigo noutro ponto, eu escolhi vir para cá, continua a ser minha escolha ficar cá por mais uns anos e, quando não quiser mais, vou-me embora. Mas há coisas, seja no meu País, aqui ou na China, sobre as quais eu não me calo.

E agora para os portugueses que vivem em Portugal, desenganem-se os que pensam que cá fora é tudo um mar de rosas porque não é! Há problemas como aí e não são poucos.

13 Outubro 2006

As meias de Portugal no Mundo

Hoje fui às compras, passei na H&M (passo a publicidade) para ver de umas meias e qual não foi o meu espanto que todas as meias são fabricadas em... (rufo da caixa para criar suspance...)
PORTUGAL! É verdade. Fiquei agradavelmente surpreendida, queixamo-nos sempre de que não exportamos nada, que não se apostam nos nossos produtos, etc. ora aí está, as nossas meias pelo Mundo.

E já agora, depois lembrei-me. Quando compram meias e não têm certeza do tamanho também fazem a medição pelo tamanho da mão fechada?

11 Outubro 2006

Dúvida.

7ª Arte é o cinema. 9ª Arte, dizem eles, que é essa. Então e a 8ª? Qual é a 8ª Arte, esta?

09 Outubro 2006

Será possível?!

Estava eu no intervalo da aula de holandês e decidi ir beber uma daquelas coisas a que os holandeses apelidam de "café". Quando comecei a beber senti a mesma agradável sensação de estar a saborear algo da qual se gosta.
Será possível que eu me esteja a habituar às esquisitices deste povo?!

06 Outubro 2006

7 Arte (7)


Como as férias acabaram os posts sobre cinema regressam... mas lentamente! Por isso em vez de começarmos com um filme deixo-vos os resultados prometidos (e não esquecidos!) aqui.

05 Outubro 2006

Onde é que eles estão?

Estava eu na minha preguicite de domingo, a bebericar um capuccino, vagueando pela blogosfera e um devaneio cruza-me o pensamento: "Nunca vi blogs sobre Lisboa". Pensei que concerteza andava pelo lado errado da blogosfera e pus-me à procura de blogs a falarem sobre Lisboa. Encontrei alguns posts mas não um blog que fale da "capital", que descreva a magia da cidade com a mesma paixão como este ou este, entre tantos outros que conheço a falarem do Porto.
Não se chateiem os mais susceptíveis. Eu vivi em Lisboa alguns anos e para além de já anteriormente gostar da cidade, quando comecei a conhecê-la daquela forma que só um habitante conhece ganhei um carinho muito especial por ela.
O Porto foi uma história diferente. Foi como uma história de amor em que a cidade é o amante que leva anos a conquistar a sua apaixonada, mas que quando o consegue enfeitiça-a com toda a sua magia.
Mas a dúvida continua: Alguém conhece blogs sobre Lisboa?

03 Outubro 2006

Novela mexicana dobrada para brasileiro- Conclusão

Pois, só em jeito de conclusão.
Fiquei muito desiludida com o nosso rectângulo! Eu sou uma defensora acérrima do nosso Portugal com todos os seus problemas, mas de facto dei por mim a pensar que se calhar se vive melhor cá fora e isso é bom mas é para o turismo (e vai lá vai...).
Sempre pensei que temos que ser nós a fazer pelo nosso país, que mesmo que venhamos cá para fora devemos voltar e tentar, com as nossas experiências positivas, transformá-lo para melhor. Agora, já não sei...

PS- Quem diria que um dia eu dizia isto, hem JT?!

Novela mexicana dobrada para brasileiro- parte 2

Acabada a saga de CP/Refer ou o r... que os parta fui fazer queixa à Polícia. E deixem-me que vos diga, fazer queixa de um roubo na PSP do nosso maravilhoso e eficiente país é... como hei-de dizer... olhem, faltam-me as palavras. Mas como um professor meu dizia "a vocês dá-vos vontade de rir a mim dá-me para chorar...".
Chega a MJ à esquadra da PSP, dirige-se à secretaria e diz:
Eu: Boa tarde. Roubaram-me a mala no intercidades e eu gostava de fazer queixa.
Sr. (que eles gostam de ser chamados assim) Agente: ... (olha para mim como se eu tivesse acabado de pedir algo de anormal) ... Então mas nós não temos nada a ver com isso.
Eu (depois de contar até dez): Mas se eu fui roubada tenho que apresentar queixa em algum sítio e os ùnicos capazes de resolver a situação são os senhores.
Sr. (já vos referi que eles gostam de ser chamados assim?!) Agente: Mas vamos lá ver, roubaram a mala no comboio e agora o que é que quer que eu lhe faça?
Eu: (desta vez tive que contar até vinte): Como eu tenho esperanças que a mala tenha sido levada por engano ou, mesmo que tenha sido roubada, alguém a abandone. Devem entregá-la na PSP porque ninguém adivinha que a mala foi roubada de um comboio e é aí que os senhores entram em acção!
Sr. Agente:Ahh... Pois, isso não é aqui. Tem que ir ali ao meu colega, ele é que trata dos perdidos e achados.

Dirijo-me ao balcão em frente.
Eu: Boa tarde. Roubaram-me....
Sr. Agente 2: Então mas nós não podemos andar aí a ver da mala.
Eu: Pois, mas se alguém a encontrar e a entregar na PSP têm o processo e podem enviá-la para cá. De outra forma para onde é que são enviadas as coisas entregues na Polícia?
Sr. Agente 2: Pois, mas então isso não é aqui. É ali no meu colega.
Eu: Mas o seu colega disse-me que era aqui.
Sr. Agente 2: Não, não. Tem que ir ali dar queixa e depois é esperar que ela apareça.
Eu: Mas e não enviam nenhuma notificação para as outras esquadras? Se apararece uma mala azul sem identificação (burrice minha eu sei!) não sabem para onde a enviar mesmo que vá para a central de perdidos e achados.
Sr. Agente 2: Pois, olhe, não sei. Tem que perguntar ali ao colega.

Volto à casa "partida".
Eu: O seu colega disse-me que era consigo.
Sr. Agente: Entre lá então.
Entro, dou os meus dados todos e... falta a luz!
Sr. Agente: Olhem o melhor é voltar cá daqui a uma horita que a luz já deve ter voltado. E como eu gravei os seus dados e já sei do que se trata, eu acabo de preencher e vem só assinar.
Eu (com remorsos de ter pesando que os Srs. Agentes não eram eficientes!): Ok. Atá já.
Passado duas horas lá vou eu.
Eu: Boa tarde, cá estou eu outra vez.
Sr. Agente: Veja lá, não sei o que aconteceu que não consigo encontrar os seus dados. Tenho que fazer tudo de novo. Diga-me lá então o seu nome.
Eu: MJ.
Sr. Agente: Data de nascimento.
Eu: 31 de Fevereiro de 2000.
Sr. Agente (a ver a novela que dá às 15h na RTP1): hããã... Como?
Eu: 31 de Fevereiro de 2000.
Sr. Agente: Morada.Eu: ...Sr. Agente: Contacto telefónico.(Mais uma espreitadela para a novela)Eu: ...(Toca o telefone)
Sr Agente: Desculpe lá mas tenho que atender. Estou sim? ... Sim... Mas e o cigano está-lhe a causar estragos no café?... Pois... Mas não foi o sr que ligou para aqui há uns dias atrás?... Sim... Pois, estou a anotar (olha para mim como quem diz " este quer que nós trabalhemos, que chatice" e continua sem a notar nada do que a pessoa que está a fazer queixa por telefone diz)...Olhe já anotei.... Oh amigo, já sei disso... Olhe desculpe lá mas tenho que desligar. (Vira-se para mim e diz) Então estava-me a dizer os seus dados.
E assim foi até ao final das declarações. Entre uma espreitadela à novela e a tomada de notas dos meus dados chegamos ao fim (das declarações e da novela da RTP1)
Sr. Agente: Pronto, agora é só esperar pela notificação para cá vir prestar declarações.
Eu (intrigadíssima com o que teria eu acabado de fazer): Então mas o que é que eu tive a fazer agora?
Sr. Agente: Agora esteve só a dar abertura do processo.
Eu: Mas eu vou depois de amanhã para a Holanda e fico lá até Dezembro.
Sr. Agente: Ah, então não sei como é que havemos de fazer.Ele pensa...
Sr. Agente: Já sei. Fazemos já as declarações e assim já não precisa de cá vir porque fica já tudo tratado.

Lá tratei de tudo e vim-me embora. Mas... estão a pensar o mesmo que eu? Se podem fazer (queixas, declarações, inícios de processos...) tudo no mesmo dia, porquê toda a burocracia e tempo da qual tanto nos queixamos?
Mas não. Ainda não acabou a novela (a minha, a da RTP1 não sei que não vejo).

Uma semana depois desta peripécia chega-me uma carta a casa a dizer que o processo tinha sido arquivado por falta de dados que permitisse a continuação do processo.Fiquei de novo a pensar, eu só queria que se a mala aparecesse tivessem dados para a enviarem para a minha cidade. Com o processo fechado (e depois de todas as diligências possíveis feitas no espaço de uma semana) como é que eles sabem que aquela mala azul é minha?

02 Outubro 2006

Novela mexicana dobrada para brasileiro- Parte 1

Até parece mentira mas já cheguei de Portugal há três semanas e ainda não contei nada sobre as férias!
Infelimente o episódio que mais me marcou não foi dos mais agradáveis.
Ora regressava eu de um belíssimo fim-de-semana com amigos no intercidades e eis quando me levanto para ir à carruagem bar e vejo que a minha mala de viagem foi roubada! Aí vou eu procurar o revisor que se encontrava relaxadamente sentado na carruagem de primeira classe:
Eu: Boa noite. Eu penso que a minha mala foi roubada e gostava de participar.
Revisor: Ahhh... Tem que esperar até chegar à estação de destino que eu não posso fazer nada. E como quando lá chegar já está tudo fechado só amanhã é que pode fazer alguma coisa.
Eu: Pois, mas e então dirijo-me a quem?
R.: Bom... (grande cara de aborrecimento), vamos lá que eu aponto os dados.

Lá dei os dados ao senhor, ele apontou, chegamos ao destino e a novela continua:
R.: Ora o melhor é falar com chefe da estação. Se bem que o chefe da estação não a vai poder ajudar porque isso é um assunto da CP, por isso o melhor é falar para a CP.
Eu (intrigada com o que será essa nova moda de haver Refer e CP...): Mas e para falar para a CP falo com quem?
R.: Tem que arranjar o núm., mas o melhor que tem a fazer é ligar para as estações a ver se entregaram alguma coisa. Mas olhe venha cá amanhã de manhã.

Depois de uma noite mal dormida e com um humor que ninguém me podia aturar decido-me a ligar para a estação de caminhos de ferro (seja lá ela da responsabilidade da Refer ou da CP!):
Eu: Bom dia. Roubaram-me ontém a minha mala no comboio e precisava dos números de telefone das seguintes estações :x, y... para saber se alguém entregou alguma coisa.
Senhora (para não lhe chamar outra coisa) da Estação de Caminhos de Ferro (para a colega do lado): Olha-me esta! Sabes o que é que quer? Os números das estações todas...

Digamos que a partir daqui a conversa azedou um pouco mas (para além do nome da senhora) lá consegui saber os números. Das cinco estações duas não têm número de telefone, o que me leva a pensar porque é que raio o Intercidades lá para... Ao fim de alguns telefonemas consegui descobrir o número da central de perdidos e achados (que ainda não percebi se da CP o Refer...) e que, apesar de díficil de encontrar, porque aparentemente nem todos os funcionários sabem da sua existência, ela está em funcionamento! E, diga-se em abono da verdade, a trabalhar com gente eficiente.

01 Outubro 2006

É triste.

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Música. Num país onde se ouvem constantemente (de intelectuais, de políticos quando lhes convém e certamente, dos músicos) críticas em relação à pouca educação a nível musical e sensibilização do público para a ida a concertos, é triste constatar que apenas na página da RTP aparece uma referência ao dia e a alguns dos acontecimentos que o marcam.