Saiu à rua, passou pelo parque onde as crianças brincavam. Apesar de já ser Outono as àrvores ainda estavam cobertas de folhas, o sol brilhava realçando os tons verde da relva e o vermelho das flores. Continuou. As casas rodeavam-na agora. Olhou para elas como se pela primeira vez, são quase todas côr de tijolo. Uma delas tem a janela aberta deixando ver um casal a tomar o pequeno almoço, relaxado, bem disposto, feliz. Tudo tem côr e luminosidade.
Não foi assim que ela conheceu os tempos da Guerra. Aí tudo lhe foi mostrado a preto e branco, cinza, castanho, sépia. A cidade é a mesma, as ruas também, mas a Guerra transforma a côr de uma cidade. Transforma a luminosidade dos lugares, o brilho nos olhos das pessoas, a expressão dos seus rostos. Uma guerra é sempre a preto e branco seja no séc. XX ou XXI.